quinta-feira, 22 de março de 2012
Dia Mundial da Poesia
Quem morre?
Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no branco
e os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Soneto de Carnaval
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Pequenina
És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!
Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!
O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...
Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"
Ler outros poemas de Florbela de Alma Conceição Espanca
Infância
Infância
Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer
de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
Carlos de Oliveira, in 'Cantata'
quinta-feira, 19 de maio de 2011
" A árvore da minha rua"
Intitula-se "A árvore da minha rua" e consiste num conjunto de sonetos que convidam à leitura, reflexão e discussão.
sábado, 19 de junho de 2010
José Saramago (1922 - 2010)
Margarida AZ
Retrato do poeta quando jovemHá na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.
Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.
Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.
Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.
José Saramago
quarta-feira, 26 de maio de 2010
NÓS E ELES
Esta que passamos
Um dia é incrível
noutro choramos
pensamos sofrer
mas não vemos o Mundo.
Aprendem a crescer
sem ter um futuro
vêem a vida a passar
sem ter oportunidade de viver
vêem o mundo acabar
sem uma palavra dizer.
Nós sofremos ?
E em África o que se passa?
sem dinheiro morremos!
E eles , que não têm nada.
Egoísta este nosso mundo.
A uns deu pouco
A outros deu tudo.
A aluna Ana Raquel, nº 2, 7º C.
terça-feira, 30 de março de 2010
"Sempre que um homem sonha"

que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança,

como bola colorida
entre as mãos de uma criança."
António Gedeão, Pedra filosofal
Por falar em Pedra Filosofal, porque não ilustrar um pedaço do lindíssimo poema com fotos de crianças guineenses?
domingo, 21 de março de 2010
A POESIA NA ESCOLA JOSÉ SARAIVA
Tudo ao contrário
O menino do contra
queria tudo ao contrário:
deitava os fatos na cama
e dormia no armário.
Das cascas dos ovos
fazia uma omelete;
para tomar banho
usava a retrete.
Andava, corria
de pernas para o ar;
se estava contente
punha-se a chorar.
Molhava-se ao sol,
secava na chuva;
e em cada pé
usava uma luva.
Escrevia no lápis
com um papel;
achava salgado
o sabor do mel.
No dia dos anos
teve dois presentes:
um pente com velas
e um bolo com dentes.
De: Luísa Ducla Soares





sexta-feira, 12 de março de 2010
Pensamento do Dia
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Segue o teu Destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-vota aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis - Fernando Pessoa
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Mãe negra
Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.
Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.
É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.
No céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco , não há preto,
Não há vermelho e amarelo.
- Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.
A mãe negra é triste , triste,
E tem filho nos braços...
Mas olha o céu estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade
Aguinaldo Fonseca
Cabo Verde
domingo, 17 de janeiro de 2010
Um poema
na areia da praia
enquanto
o mar e a lua
se encontram
e choram e se amam
E se te encontro
é apenas
pelo
tempo de um instante:
Porque
o único regresso que conheço
é o da partida
- E amo-te quando parto.
(Esquecida da outra metade do teu rosto)"
Cristina Almeida
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Um poema
que passava
o que sabia de ti!
-Nada! respondeu.
Perguntei à flor que nascia
donde vinha e se te tinha visto
-Não! respondeu.
Perguntei ao céu
que amanhecia
se sabia de ti
- Não! respondeu...
(Cansei me de perguntar... e esperei.
E de esperar me cansei...)
Cristina Almeida
Uma rosa em Janeiro
esta primeira rosa.
Tem o nome tranquilo
das coisas que ninguém chama.
Dorme de olhos leves
e é talvez o vulto mais puro da ternura.
Morre depois de ser plena
e cai no último instante
para dentro de todos os dias
que a guardavam."
Cristina Almeida
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Momento de poesia
Tem de bom
É podermos saber
O que todos andam a fazer.
Andam uns a pesquisar
Andam outros a pintar
Mas todos vamos conseguir
Pôr crianças a sorrir!
Bárbara - 6ºB
Momento de poesia
Tem de bom Andam outros a pintar
É podermos saber Mas todos vamos conseguir
O que todos andam a fazer. Pôr crianças a sorrir!
Bárbara - 6ºB
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Poema
Onde sempre acabou cada ilusão, A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
De Sophia de Mello
domingo, 8 de novembro de 2009
Poema
Ficar no meio é que é perder o sonho.
É deixá-lo apodrecer, no resumido
círculo, da angústia e do abandono.
É ir de mãos abertas, mas vazias,
de coração completo, mas chagado.
É ter o sol a arder dentro de NÓS,
cercado,
por grades infinitas...
Culpa de quem, se fiz o que podia,
na hora dos descartes
e das lidas?
Ah! ninguém diga que foi minha
Ah! ninguém diga...
Minha , a culpa,
de ter dentro do peito,
tantas vidas!...
Cristina Almeida

