São fotos fantásticas, cheias de cor e de alegria de diferentes etnias guineenses.

Obrigada ao grupo de Colaboradores do PASEG e ao IPAD, por nos proporcionar a oportunidade de contribuir para a melhoria das Oficinas de Língua Portuguesa na Guiné-Bissau.
Este é mais um incentivo a juntar a outros para continuarmos a trabalhar em prol da Divulgação da Língua de Camões.






A mulher guineense trabalha, dança, chora, sorri, canta, ensina, carrega, dá, pede, amamenta, cria, limpa, sofre, ajuda, ...

As tradições de Natal na Guiné-Bissau são bastante diferentes das europeias. Mesmo dentro da Guiné existem grandes diferenças entre a capital do país, Bissau, e o interior do país. Independentemente do local onde vivem, cada etnia tem as suas próprias tradições e os guineenses que são católicos celebram o Natal de formas diversificadas.No interior do país é habitual juntarem-se grupos de jovens da etnia Balanta e também de outras etnias durante a época das chuvas para fazerem a lavoura nas terras. Estes grupos são constituídos por cerca de 15 jovens. O pagamento desse trabalho é feito pelo dono de cada terra, através do pagamento de uma certa quantia ou de produtos (um porco, sacos de arroz ou outros produtos). Um dos jovens fica responsável por guardar o pagamento até à época do Natal. Com o aproximar do Natal, o grupo constrói uma barraca com folhas de palmeira, afastada da tabanca para os habitantes da aldeia não ouvirem o barulho dos festejos. Na noite de 24 de Dezembro os jovens de cada grupo juntam-se, matam um porco e dançam até à manhã de dia 25. No dia 25 convidam os mais velhos da tabanca e fazem uma grande festa onde comem, bebem, brincam e celebram durante todo o dia.
Em Bissau há missa à meia noite na véspera de Natal. Algumas famílias fazem uma ceia na noite de 24 de Dezembro. Embora não haja nenhuma comida típica para a ceia, podem fazer pratos tradicionais da Guiné-Bissau, como caldo de chabéu, caldo branco ou outros. A etnia Bijagó tem por tradição comer caldo de chabéu. No dia de Natal a festa dura todo o dia. Algumas pessoas cortam uma árvore do Bairro da Granja e é hábito decorá-la com balões.
As árvores servem para dar frutos, oxigénio, sombra e, neste caso, servem também para abrigar uma escola nómada que funciona debaixo de uma mangueira, pé di mango, em crioulo.
O Mister Mondjano é o professor que lecciona nesta escola e é também o responsável pela sua existência há tantos anos, que nem ele sabe quantos. Sempre ensinou os mais pequenos, desde que ele próprio era pequeno. A escola já funcionou debaixo de outras árvores, mas agora é neste espaço que as 78 crianças desde os 3 até aos 12 anos frequentam as aulas. Desde a pré-primária até à 4ª classe, os alunos vão a esta escola privada com o banco ou a cadeira à cabeça, trazida de casa, pois a escola não tem esse tipo de materiais. No final do dia lá regressam eles a casa com o banco à cabeça e mochila às costas. Os recursos visíveis são dois quadros gastos pelos anos encostados ao muro, dois bancos para o professor pousar as suas coisas e uma bacia.
Alguns têm livro de leitura, a maioria tem caderno mas TODOS sem excepção têm um enorme sorriso e um brilhozinho nos olhos muito especial de cada vez que o flash dispara. Se a alegria é tanta ao ver a máquina a fotografar, imaginem quando estas crianças receberem um presente enviado com todo o carinho directamente das crianças portuguesas!
Entretanto, encontrei aqui um apelo à doação de instrumentos musicais ou material escolar para invisuais, de forma a ajudar a escola Bengala Branca.O material angariado será trazido para a Guiné num contentor da ONG Humanitarius, que podem ficar a conhecer melhor aqui.
Porque "a união faz a força", se puderem ajudar ou souberem de alguém que o possa fazer, encontram aqui os contactos.

Mas como encaram os guineenses a morte?
Os guineenses têm um culto particular pelos seus mortos: no caso de ocorrer um falecimento, estendem-se esteiras numa sala ou num quarto durante uma semana, período em que a família enlutada recebe visitas que vão apresentar pêsames. As visitas sentam-se ao pé dos familiares, consolando-as e partilhando sinceramente a sua dor. A este costume dá-se o nome de tchur (choro).
No oitavo dia há a missa pela alma dos defuntos, seguida de uma lauta refeição. Levantam-se depois as esteiras, que se arrumam num canto da casa.
Decorrido algum tempo (pode ir de uma semana a um, dois ou mais anos, conforme os meios financeiros), a família do falecido estende de novo as esteiras na kasa garandi (casa principal) e organizam-se as cerimónias tradicionais que consistem no toca tchur (toca-choro).
É com o ressoar dos tantãs (instrumentos de percursão) que se inauguram essas cerimónias, que duram três dias, durante as quais se abatem vacas, porcos, galinhas, etc. e onde a bebida também não falta.

Quadro representando danças de toca tchur (retirado daqui)
No fim do terceiro dia, regressa-se à casa principal para ficar até ao oitavo dia. Findo este tempo, levantam-se as esteiras e cada um retoma o caminho de sua casa.
Estas cerimónias são escrupulosamente respeitadas pois mantém-se a crença de que aquele que não realizar o toca tchur de um ente falecido pode estar sujeito às maiores desgraças físicas ou morais.
Muitas vezes, aquando de um aperitivo entre amigos, deitam-se num canto da sala ou à entrada da casa algumas das gotas da bebida para os que já não estão neste mundo, para que participem na reunião. É uma convicção bem vincada em todos os guineenses: os mortos continuam a tomar parte incontestável na vida dos familiares, sobretudo nos momentos de alegria!
(informações retiradas do livro O crioulo da Guiné-Bissau – Filosofia e Sabedoria, de Benjamim Pinto Bull)


Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, que liga o aeroporto ao centro da cidade
O antigoPalácio do Governo
E por hoje, ficamo-nos por aqui. Voltamos em breve com mais imagens e informações sobre este pequeno grande país ;)