sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Crianças do Hospital Simão Mendes, Bissau

A quem distribuir a roupa recebida através das encomendas de correio económico?
A resposta a esta pergunta surgiu com naturalidade, pois o PASEG tem por hábito participar na festa de Natal oferecida pela Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau às crianças da pediatria do Hospital Nacional Simão Mendes. Estas crianças marcam-nos pelos seus sorrisos com que ultrapassam as doenças que as levaram ao hospital. Se uma visita a uma ala pediátrica portuguesa é uma experiência marcante, aqui na Guiné-Bissau essa viagem pelas diversas salas cheias de crianças consegue agarrar-se à alma de quem não tem poderes para curar as feridas e as doenças gravíssimas que afectam tantas crianças guineenses. Conseguimos perceber também que os cuidados de saúde são muito precários e é necessário pagar todos os instrumentos, curativos e medicamentos que se utilizam nos tratamentos. Como consequência, muitas famílias não têm possibilidade de pagar os cuidados médicos e as doenças vencem.
Para espalhar alguns sorrisos pelas crianças que estão na pediatria, pegámos nas roupas que tínhamos recebido, entrámos no hospital e começámos a distribuir t-shirts, calções, vestidos, calças, bonés, calçado, material escolar, etc.
As fotos falam por si mesmas e não precisariam de mais comentários. No entanto, é fundamental referir a expressão dos olhos destas crianças que, apesar de estarem doentes, nos presentearam com os seus olhares e sorrisos. Algumas delas assustaram-se com as brancas que entravam pelas salas com presentes e rapidamente se escondiam atrás das mães. As mães, como já é habitual, recebiam todas as roupas de mãos estendidas e pediam mais e mais.
Algumas crianças apressaram-se em vestir a roupa que lhes oferecemos, outras descalçaram-se e, em segundos, já tinham calçado os sapatos novos. De sala em sala, a alegria foi-se espalhando por todos os que receberam presentes na pediatria do Hospital Nacional Simão Mendes, em Bissau.

Roupa, roupa, roupa

Nas dezenas de encomendas que já recebemos aqui em Bissau, enviadas pelos amigos de Leiria, recebemos uma grande quantidade de roupa. Já anteriormente tínhamos distribuido roupa enviada pelo Agrupamento de Escolas José Saraiva aos alunos da Escola Mister Mondjano, em Bissau, como podem verificar aqui.
Como continuámos a receber grandes quantidades de roupa, os professores do PASEG separaram-na por idades e géneros. Há roupa de bebé, toalhas de bebé, roupas de menina e menino dos 2 aos 6 anos, dos 6 aos 12, e até roupas de adulto.
As roupas foram colocadas em montinhos, consoante as idades.
A sala de convívio/trabalho do PASEG, nos apartamentos da Cooperação Portuguesa, ficou cheia de montinhos de roupa espalhados um pouco por todo o lado.
O que fazer com a roupa? A quem distribuir? Como organizar a distribuição?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

As Mãos

Ao ver as mãos daquelas crianças temos que reconhecer que não está nas NOSSAS as soluções para elas, mas, pelo menos perante os problemas delas temos as nossas mãos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

video

Os alunos que frequentam a Oficina em Língua Portuguesa da Escola do Ensino Básico Unificado Justado Vieira gritam o seu agradecimento pelos materiais que vão ficar à sua disposição sempre que necessitarem. Este agradecimento estende-se às outras Oficinas em Língua Portuguesa das Escolas do Ensino Básico Unificado Salvador Allende, UCCLA, Unidade Escolar Jorge Ampa Cumelerbo e Escola Normal 17 de Fevereiro, bem como outras Oficinas que também receberam materiais escolares e livros recebidos através das encomendas do Agrupamento de Escolas José Saraiva.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Encomendas, mais encomendas!

Durante os meses de Janeiro e Fevereiro, continuámos a receber em Bissau dezenas de encomendas enviadas pelo Agrupamento de Escolas José Saraiva. As caixas foram abertas pelos professores do PASEG, que separaram as ofertas em diversas categorias: livros infantis, manuais escolares, livros de passatempos, cds didácticos, cadernos, estojos, material escolar, roupa, brinquedos, jogos, materiais de primeiros socorros, etc.
Após a separação do material recebido, chegou a hora de iniciar a distribuição pelas escolas onde o PASEG trabalha. Cada responsável pelas Oficinas em Língua Portuguesa levou os seus montinhos para a sua escola e logo surgiram os sorrisos de alunos, professores, colaboradores e direcção.
A maioria destas ofertas ficará nas Oficinas em Língua Portuguesa das escolas de Bissau, que funcionam como centros de recursos, sala de informática, sala de formação de professores, biblioteca e em alguns casos videoteca.
Os alunos agradecem com o seu "OBRIGADO!"
O PASEG agradece também, uma vez mais, o empenho e entusiasmo dos alunos e professores de Portugal que nos proporcionam estes momentos de felicidade ao dar acesso a livros em língua portuguesa, material escolar e jogos didácticos, que tanta falta fazem às nossas escolas de Bissau.

Kits de primeiros socorros

Um dos pedidos que foi feito ao PASEG pelo Director Luís Maia da Silva, da Escola do Ensino Básico Unificado Justado Vieira, estava relacionado com materiais de primeiros socorros. As escolas não têm forma de dar os cuidados básicos aos alunos que se magoam e têm de mandar os alunos para casa ou, no caso de haver alguma verba disponível, enviam-nos para o centro de saúde. Nesta escola, com cerca de 3500 alunos da 1ª à 6ª classe, há diversos acidentes e uma das preocupações da direcção da escola tem a ver com a segurança dos alunos. Assim, o PASEG pediu ajuda ao Agrupamento de Escolas José Saraiva e todos ficaram sensibilizados com a situação.
Devido à eficiência, prontidão e dinamismo habituais das dinamizadoras e dos alunos, já recebemos aqui em Bissau diversos materiais para distribuirmos pelas escolas: algodão, luvas, pensos rápidos, betadine, álcool, água oxigenada, creme hidratante, vaselina, cotonetes, soro fisiológico, compressas e adesivos.
Os materiais foram organizados em 9 kits para serem distribuidos pelas direcções das escolas e liceus onde nós trabalhamos. Aproveitámos as caixas das encomendas e colocámos lá tudo dentro para cada escola.
Um dos kits de primeiros socorros foi oferecido ao director da Escola do Ensino Básico Unificado Justado Vieira, que agradeceu o presente dizendo que servirá para prestar os cuidados básicos aos alunos que necessitarem, em vez de os mandarem para casa sem nenhum tipo de ajuda.
A saúde é uma área que precisa de muita intervenção aqui na Guiné Bissau, a todos os níveis. Este foi um contributo minúsculo no que há a fazer, mas para cada escola foi uma mudança muito positiva, pois enquanto tiverem estes materiais podem prestar cuidados aos alunos que antes não podiam. Obrigada!

O pastor

Pastor, pastorinho,
onde vais sozinho?

Vou àquela serra
buscar uma ovelha.

Porque vais sozinho,
pastor, pastorinho?

Não tenho ninguém
que me queira bem.

Não tens um amigo ?
Deixa-me ir contigo.


Eugénio de Andrade
Portugal

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

São meus estes rios

São meus estes rios
que buscam caminho
rastejando entre luar e silêncio,
sombra e madrugada,
até ao seu fim marítimo.
A minha alma está neles,
líquida e sonora
como a água entre o quissange das pedras,
o anoitecer nas fontes.
Tenho rios vermelhos e quentes
na minha dimensão física,
rios remotos, remotos como eu.


Manuel Lima
Angola

domingo, 21 de fevereiro de 2010

África de A a Z

COSTA DO MARFIM


A Costa do Marfim (em francês Côte d'Ivoire) é um país africano, limitado a norte pelo Mali e pelo Burkina Faso, a leste pelo Gana, a sul pelo Oceano Atlântico e a oeste pela Libéria e pela Guiné. Sua capital é Yamoussoukro.Denomina-se ebúrneo, marfinês, costa-marfinês ou ainda costa-marfinense a quem é natural da Costa do Marfim.
Apesar de comumente se usar em português o nome Costa do Marfim, o governo marfinês solicitou à comunidade internacional em outubro de 1985 que o país seja chamado apenas por Côte d'Ivoire.


As populações indígenas estiveram política e socialmente isoladas até épocas muito recentes. Os antecessores da população actual instalaram-se na área entre os séculos XVIII e XIX. Os exploradores portugueses chegaram no século XV e iniciaram o comércio de marfim e escravos do litoral. No século XVII estabeleceram-se diferentes Estados negros, entre os quais se destacou o dos baules por suas actividades artísticas. No final do século, os franceses fundaram os entrepostos de Assini e Grand-Bassam e, no século XIX, celebraram uma política de pactos com os chefes locais com o obcjetivo de estabelecer uma colónia. Em 1899, passou a fazer parte da Federação da África Ocidental Francesa.


Em 1958, foi proclamada a República da Costa do Marfim, como república autónoma dentro da Communauté française (Comunidade Francesa) e, em 1960, alcançou a independência plena.


A Costa do Marfim é o maior produtor e exportador de cacau do mundo. Entre os principais produtos de exportação estão: banana, abacaxi, café e, até a segunda metade do século XX, era o maior explorador de marfim, daí o nome do país.

Segue o teu Destino

Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-vota aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis - Fernando Pessoa

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pensamento do Dia

"... Tantas foram as coisas que aprendi
com vocês, os homens! Aprendi que todo
o mundo quer viver em cima da
montanha, sem saber que a verdadeira
felicidade está em subir a encosta...

Aprendi que um homem só tem
direito a olhar outro de cima para baixo
quando vai ajudá-lo a levantar-se..."

Gabriel Garcia Márquez

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

África de A a Z

CONGO KINSHASA

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MÃOS

Mãos, mãos negras que em vós estou pensando.
Mãos Zimbabwe ao largo do Índico das pandas velas
Mãos Mali do sono dos historiadores da civilização
Mãos Songhai episódio bolorento dos Tombos
Mãos Ghana de escravos e oiro só agora falados
Mãos Congo tingindo de sangue as mãos limpas das virgens
Mãos Abissínia levantadas a Deus Nos altos planaltos:
Mãos de África, minha bela adormecida, agora acordada pelo relógio das balas!
Mãos, mãos negras que em vós estou sentindo!
Mãos, mãos pretas que em vós estou chorando!


excerto de um poema de Francisco José Tenreiro
São Tomé e Príncipe

África de A a Z

CONGO BRAZZAVILLE



Localizado no centro-oeste da África, com uma pequena porção de costa no Oceano Atlântico e cortado pela linha do Equador, o Congo tem clima quente e úmido. Cerca de 55% do território é coberto por florestas tropicais.
O Congo situa-se na parte centro-oeste da África subsariana, e é atravessado pelo equador. Ao sul e leste, é limitado pelo rio Congo e um dos seus afluentes, o rio Ubangi, sendo que as margens esquerdas de ambos os rios pertencem à República Democrática do Congo. As outras fronteiras do país são com o Gabão a oeste, os Camarões e a República Centro-Africana a norte e (Angola) a sudoeste. O Congo tem também uma curta costa atlântica.
A sua capital, Brazzaville, situa-se nas margens do rio Congo, no sul do país, mesmo em frente de Kinshasa, a capital da RD do Congo.
O sudoeste do país é uma planície costeira, que é drenada principalmente pelo rio Kouilou-Niari. O interior consiste de um planalto central entre duas bacias, a norte e a sul.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

África de A a Z

COMORES

As ilhas Comores foram descobertas em 1505 pelos portugueses e posteriormente colonizadas e administradas pela França, mas a partir do século XIX foram negligenciadas pelo colonizador. Em 1975, tornaram-se independentes e passaram a formar a República Federal Islâmica das Comores. Em 1997, as ilhas de Nzwani e Mwali declaram independência, desencadeando conflitos entre tropas do governo e separatistas de Nzwani. Após negociações, em 1999 é assinado um acordo que institui um governo rotativo entre as três ilhas. No mesmo ano, porém, é registrado o 19º golpe de Estado no país em 25 anos. Em 2001, 77% dos eleitores aprovam a nova Constituição que muda o nome do país para União de Comores e garante mais autonomia para as ilhas.

O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL

AVE- MARIAS

Nas nossas ruas , ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,

Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia

Despertam-me um desjo absurdo de sofrer.


O céu parece baixo e de neblina,

O gás extravasado enjoa-me, perturba:

E os edíficios, com as chaminés, e a turba,

Toldam-se duma cor monótona e londrina.


Batem carros d` aluguer, ao fundo,

Levando à via- férrea os que se vão. Felizes!

Ocorrem-me em revistas exposições, países,

Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!


E evoco, então as crónicas navais:

Mouros, baixéis, heróis, tudo ressuscitado!

Luta Camões no Sul, salvando um livro a nado!

Singram soberbas naus que eu não verei jamais!


E o fim da tarde inspira-me; e incomoda!

De um couraçado inglês voam escaleres;

E em terra num tinir de louças e talheres

Flamejam, ao jantar, alguns hotéis da moda.


Vazam-se os arsenais e as oficinas;

Reluz, viscoso, o rio; apressam-se as obreiras;

E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,

Correndo com firmeza, assomam as varinas.


Vêm sacundindo as ancas opulentas!

Seus troncos varonis recordam-me pilastras;

E algumas,à cabeça, embalam nas canastras

Os filhos que depois naufragam nas tormentas.


Descalças! Nas descargas de carvão,

Desde manhã à noite, a bordo das fragatas;

E apinham-se num bairro aonde miam gatas,

E o peixe podre gera os focos de infecção!


Excerto do poema de Cesário Verde

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

AO DESCONCERTO DO MUNDO

Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos
E para mais me espantar
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado
Fui mau mas fui castigado.
Assim que, só para mim,
Anda o mundo concertado.
Luís de Camões.
Portugal

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Donativos_Guiné-Bissau

Boas Notícias!

Vimos dar conhecimento a todos os participantes no Projecto e visitantes do blog, que já chegaram a Bissau as caixas enviadas no passado mês de Dezembro em Contentor. Este foi financiado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao abrigo da Parceria entre o IPAD ( Instituto Português para o Desenvolvimento) e o Agrupamento de Escolas José Saraiva. Relembramos que o IPAD apoia o PASEG ( Projecto de Apoio ao Sistema Educativo Guineense) bem como outros Projectos em diversos países Africanos, nomeadamente PALOP`s.

Outros materias, que não são específicamente de caracter educativo, e que generosamente têm chegado aos Dinamizadores do Projecto, desde brinquedos, vestuário bem como material de Primeiros Socorros e de Higiene e Segurança, são enviados via CTT.

Todos os materiais enviados chegaram, até à presente data, nos prazos previstos e em perfeitas condições.

Os dinamizadores do Projecto congratulam-se com os resultados até agora alcançados e agradecem o empenho, a generosidade e o envolvimento de todos os intervenientes que permitiram a concretização destas actividades, às quais tencionam dar continuidade.

Bem-Hajam.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carnaval em Portugal

Origem do Carnaval

O Carnaval tem a sua origem na Semana Santa, introduzida pelo catolicismo no século XI. A Semana Santa era precedida por 40 longos dias de sacrifício, que incluíam o jejum. Por essa razão, no dia anterior do início da Quaresma, uma grande festa começou a ser celebrada. Era caracterizada pela expressão "Carne Vale", que representava o afastamento dos prazeres da carne, e acabou dando origem à palavra Carnaval.
O Carnaval foi-se transformando em cada período histórico, com características cada vez mais diferentes.
Durante muitos anos o Carnaval limitou-se aos bailes e récitas nas colectividades e em casas particulares, quase sem animação de rua.


www.cm-tvedras.pt/camara-minicipal/publicações/.

A partir de meados do séc. vinte deu-se início às primeiras manifestações de rua. Um dos Carnavais emblemáticos de Portugal é pelas suas características, o Carnaval de Torres Vedras, na zona Centro do País, onde a sátira política é uma presença constante. Mais tarde surgem os Reis do Carnaval e as “matrafonas”, tão características do Carnaval de massas, que contrasta com os carnavais urbanos cada vez mais similares ao Carnaval do Brasil.
Mas a alegria e o simbolismo sempre estiveram presentes.













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O Carnaval no distrito de Leiria

Tal como nas cidades envolventes o Carnaval varia um pouco podendo apresentar-se sob a forma de desfiles carnavalescos mais ou menos elaborados com carros alegóricos, pessoas mascaradas ou simplesmente grupos de foliões vestidos de acordo com um tema seleccionado pela Associação Recreativa, Escola de Samba a que pertencem ou outros intervenientes que espontaneamente participam nos festejos.
Ao nível das escolas é frequente verem-se pequenos grupos de crianças “mascaradas” ou fantasiadas de acordo com um tema que poderá ou não estar ligado a um Projecto da Escola ou simplesmente associado à criatividade e recursos disponíveis em cada um dos estabelecimentos de ensino

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Carnaval na Guiné-Bissau






A diversidade cultural de um “pequeno país gigantesco”, a Guiné-Bissau, mínimo na geografia mas com 23 etnias e 9 idiomas, concentra-se todos os anos em meados de Fevereiro na capital, Bissau, numa enorme e inebriante manifestação de alegria popular. Trata-se do Carnaval, tradição originalmente europeia, mas que nesta nação africana assume matizes de identidade social e artística ímpares.
Até à Independência o Carnaval era europeizado. Hoje é uma multiplicidade de palcos a “explodir” em manifestações etnográficas de raiz local, em que a tradição festiva guineense extravasa completamente pelos bairros e ruas da capital. O esquema base [...] não deixa de encontrar paralelos com os carnavais de carácter europeu ou brasileiro, com um grande desfile principal na avenida central de Bissau, dedicado este ano ao tema da Reconciliação Nacional, e inúmeros pequenos desfiles paralelos. Contudo [...] «é uma desbunda completa, mas organizada», onde há «uma grande etnização do carnaval». Formalmente, os desfiles associam-se a bairros, «mas não há dúvida nenhuma que nos grupos que aparecem sentes que uns são mais Balantas, mais Papeis, mais Bijagós, Ndingas, etc., começam a assumir-se como tal». E, como tal, cada bairro acaba por representar uma das muitas etnias guineenses.
«Nesta perspectiva o festival é um pouco o desfile de vários grupos étnicos, é um festival de tradições, onde as máscaras ganham grande importância, e quase todas correspondem à simbologia étnica de cada grupo» [...] «cada grupo concorre com uma rainha, máscaras e danças, mas ao mesmo tempo em que este desfile principal vai subindo até à tribuna principal, em frente ao palácio presidencial, tens constantemente, em paralelo, desfiles espontâneos, para baixo, para cima, para o lado, uma confusão completa. [...]

Retirado de http://www.cenalusofona.pt/cenaberta_old/carnaval.htm

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

África de A a Z

CHADE



O que tu desejas é o que eu desejo para ti:


que sigas o teu caminho como os outros homens
e que sejas feliz na Terra.
Ilusões, Richard Bach

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Mãe negra

A mãe negra embala o filho.

Canta a remota canção
Que seus avós já cantavam
Em noites sem madrugada.

Canta, canta para o céu
Tão estrelado e festivo.

É para o céu que ela canta,
Que o céu
Às vezes também é negro.

No céu
Tão estrelado e festivo
Não há branco , não há preto,
Não há vermelho e amarelo.
- Todos são anjos e santos
Guardados por mãos divinas.

A mãe negra é triste , triste,
E tem filho nos braços...

Mas olha o céu estrelado
E de repente sorri.
Parece-lhe que cada estrela
É uma mão acenando
Com simpatia e saudade


Aguinaldo Fonseca
Cabo Verde

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

África de A a Z

CAMARÕES


O Pescador Velho

Pescador vindo do largo
com o teu calçado de algas
diz-me o que trazes no barco
donde levantas a face

a tua face marcada
pelo sal de horas choradas
dá-me o teu peixe pescado
bem lá no fundo do mar

- nesta água não tem peixe –

Pescador dá-me um só peixe
nem garoupa nem xaréu
só um peixinho de prata

- nesta água não tem peixe
Foi tudo procurar Deus
Pró lado do Zanzibar.

Glória de Sant`Anna
Moçambique